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Reforma Tributária deve mudar relação entre empresas e fornecedores

Neste ano considerado neutro financeiramente, mas extremamente estratégico para as empresas, o talk reuniu cerca de 50 empresários e gestores para discutir os impactos práticos da nova legislação tributária

A Reforma Tributária já começou a provocar mudanças práticas no ambiente empresarial brasileiro e deve alterar, inclusive, a relação entre empresas e fornecedores nos próximos meses. Em meio a esse cenário de adaptação e incertezas, cerca de 50 empresários e gestores participaram, no Frederic Private Club, em Goiânia, do talk "Reforma Tributária: o que muda na estratégia de gestão", voltado à discussão dos impactos da nova legislação na estratégia dos negócios.

Mediado pela jornalista Dora Teruel, o encontro contou com a participação de Ivan Lima, diretor da Acieg, membro do Conat/Fieg e CEO da KBL Contabilidade, além do advogado Rogério Magalhães, especialista e mestre em direito tributário, e CEO da MLP Advogados. Em formato aberto a perguntas, o debate abordou desde mudanças operacionais até riscos jurídicos e estratégias para preservação da competitividade empresarial.

Um dos principais pontos discutidos foi o impacto da Reforma sobre as empresas do Simples Nacional. Segundo os especialistas, fornecedores que não aderirem ao chamado regime híbrido, até o dia 30 deste ano, podem deixar de gerar créditos tributários para seus clientes, tornando-se menos competitivos no mercado.

"A Reforma Tributária não é apenas uma mudança fiscal, mas uma transformação na forma de gerir as empresas. O empresário vai precisar olhar para fornecedor, sistema, fluxo de caixa e operação de maneira integrada", afirmou Ivan Lima.

Regime híbrido para o Simples Nacional

De acordo com ele, a escolha pelo regime híbrido deverá se tornar estratégica principalmente para prestadores de serviço optantes pelo Simples Nacional. "Quem não estiver preparado pode perder competitividade já nos próximos meses, porque o mercado começará a priorizar empresas que geram créditos tributários", explicou.

Outro ponto debatido foi a necessidade de adaptação tecnológica das empresas diante do novo modelo tributário digital e automatizado. Os especialistas alertaram que muitas organizações ainda subestimam a complexidade da Reforma, mesmo com a fase de transição já em andamento desde janeiro de 2026.

Créditos e compensações

Na oportunidade o Rogério Magalhães falou sobre as várias teses tributárias que são capazes de recuperar tributos pagos indevidamente nos últimos cinco anos e ainda reduzir a carga tributária das empresas para o futuro, inclusive no que se refere às novas legislações. "É importante fazer com urgência uma reorganização societária com foco em planejamento sucessório, uma vez que a carga tributária sobre a transmissão de herança irá se elevar muito no Brasil. Essas medidas devem ser tomadas antes das mudanças drásticas que ocorrerão a partir de 1 de janeiro de 2027", conclui

Durante o encontro, também foram discutidas mudanças na dinâmica financeira das empresas com o novo sistema de recolhimento automático de tributos, além da necessidade de inventário de estoques, revisão de créditos acumulados de PIS e Cofins e preparação para o fim gradual de benefícios fiscais estaduais.

Para os especialistas, 2026 deve ser encarado pelo empresariado como um ano decisivo de planejamento e reorganização estratégica. "A Reforma tende a acelerar a profissionalização das empresas e reduzir espaços para informalidade e improviso na gestão tributária", concluiu Ivan Lima.

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